O cerco da memória é um livro constituído de poemas inéditos mais poemas de obras anteriores que refletem a mesma instância temática retratando conflitos existenciais e reflexões surgidas a partir da recordação, projetados mimeticamente através da imagem. Imagem representada na poética de Sérgio de Castro por uma fotografia, ou por um filme, ou por uma paisagem, elementos que desencadeiam o olhar epifânico e revela a memória, o retorno a experiência passada através da contemplação do objeto, que por sua vez reproduz um diálogo paradoxal: objeto extrínseco (imagem=percepção=experiência) x objeto intrínseco (psique= memória= experiência) , essa relação dialogal entre o “ eu” e o espaço evoca uma estreita tênue entre os dois tempos; passado e presente, como poderemos observar posteriormente no poema "avenida dos tabajaras". “O poema porto inativo revela o deslumbramento do eu lírico diante a descoberta da vida numa paisagem naturalmente morta ou sem vida, mas que se mostra reveladora para ele, logo, os “guindastes” desenham na percepção sensível do sujeito” gaivotas espreguiçando à tarde”.
Essa obra traz poemas intertextuais e metalingüísticos (pedro nava , escrever e não escrever etc.); traz ainda a temática do erotismo a partir de uma perspectiva de aprendizagem ( bodas de prata) e como já foi colocado e o próprio título sugeri a ação de recordar,um cerco em torno da experiência vivenciada, isto é, a “ memória” é o emblema da condição existencial do sujeito poético. Uma das obras inseridas em o cerco da memória,intitulada "ilha na ostra", alegoriza essa relação memorialista do homem com o mundo. A “ostra” seria a metáfora do ser e a “ ilha” a metáfora do mundo e da experiência que revela o existir,por isso ilha na ostra, pois é o conhecimento e a vivência armazenados na esfera psicológica do indivíduo( ostra= memória).
No plano estrutural verificamos que todos os títulos e versos são escritos em letra minúscula, sugerindo assim a “ continuidade” de uma experiência. A ordem cronológica do livro vai dos poemas inéditos até os primeiros poemas escritos do livro gestos lúcidos, desse modo podemos observar o movimento de ida e volta explicando o retorno ao passado. A linguagem utilizada pelo autor é simples e concisa, e num jogo poético com as palavras revela a dimensão paradoxal da vida que mesmo na sua simplicidade e no seu cotidiano se apresenta como complexa daí o caráter metafórico da sua poética, como se pode observar, por exemplo, no poema "etílico":
Essa obra traz poemas intertextuais e metalingüísticos (pedro nava , escrever e não escrever etc.); traz ainda a temática do erotismo a partir de uma perspectiva de aprendizagem ( bodas de prata) e como já foi colocado e o próprio título sugeri a ação de recordar,um cerco em torno da experiência vivenciada, isto é, a “ memória” é o emblema da condição existencial do sujeito poético. Uma das obras inseridas em o cerco da memória,intitulada "ilha na ostra", alegoriza essa relação memorialista do homem com o mundo. A “ostra” seria a metáfora do ser e a “ ilha” a metáfora do mundo e da experiência que revela o existir,por isso ilha na ostra, pois é o conhecimento e a vivência armazenados na esfera psicológica do indivíduo( ostra= memória).
No plano estrutural verificamos que todos os títulos e versos são escritos em letra minúscula, sugerindo assim a “ continuidade” de uma experiência. A ordem cronológica do livro vai dos poemas inéditos até os primeiros poemas escritos do livro gestos lúcidos, desse modo podemos observar o movimento de ida e volta explicando o retorno ao passado. A linguagem utilizada pelo autor é simples e concisa, e num jogo poético com as palavras revela a dimensão paradoxal da vida que mesmo na sua simplicidade e no seu cotidiano se apresenta como complexa daí o caráter metafórico da sua poética, como se pode observar, por exemplo, no poema "etílico":
a vida é dose!
de gole em gole
-com um olho
cheio de rum
e outro
sem rumo
o mundo é um porre!
Percebamos que o vocábulo “dose” do primeiro verso sugere dois momentos distintos convergidos no plano da experiência poética: as circunstâncias árduas presentes na relação do indivíduo com o mundo e a bebida= embriaguez do eu lírico, pois a dose do rum seria o refúgio e também o veículo que precipitaria a sensibilidade, e por conseguinte uma nova percepção, ou seja, o olho da sensibilidade, da embriaguez e o olho da ausência do caminho, da certeza como se percebe na segunda estrofe. O poema "avenida dos tabajaras (II)" traz o tema da memória recorrente na obra aqui analisada, projetando o diálogo entre duas realidades temporais: uma momentânea, impregnada de elementos do cotidiano urbano e outra distante no espaço da realidade moderna, mas loquaz na lembrança do sujeito.
avenida dos tabajaras(II)
( no retesado do arco
das esquinas
as setas disparam
o meu coração:
trafego na contramão
do meu tempo
de menino)
As “ setas” da segunda estrofe indicam a direção para os transeuntes da Avenida dos Tabajaras e direcionam a percepção do sujeito poético,logo dispara o coração e evoca a experiência do menino. Como refletiu Amorim (2006):
A recordação está no miolo mais
Essencial da criação poética.
A palavra recordar vem do verbo recordare (latim), e significa colocar novamente no coração, por isso as “setas” simbolizam o retorno a uma situação vivenciada. É importante ressaltar que todas as estrofes estão dentro de parênteses, e geralmente utilizamos para indicar um sentido a parte, logo a Avenida dos Tabajaras é apenas um elemento circunstancial para um todo, mas para o poeta tem um sentido peculiar,pois representa o momento de retorno a consciência infantil como se pode comprovar na última estrofe.
Desse modo concluímos que a poesia de Sérgio de Castro é construída a partir de aspectos do cotidiano (uma característica da poesia moderna), isto é, vem de fora para dentro, porque é o objeto externo (coletivo) que desperta as nuances memorialistas do “eu”.
Bibliografia
NÓBREGA, Marta e PINHEIRO,Hélder (orgs). Literatura: da crítica à sala de aula. Campina Grande: Bagagem,2006.p.127-148.
PINTO, Sérgio de Castro. o cerco da memória. 2ªEd. João Pessoa: Editora Universitária/UFPB,2006.
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